<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622</id><updated>2011-04-21T14:14:06.745-07:00</updated><category term='capitulo 1'/><category term='prólogo'/><title type='text'>Escolhidos do Silêncio</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-4296859197324312299</id><published>2008-10-31T08:30:00.000-07:00</published><updated>2008-10-31T08:32:12.936-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 7</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Papai, você não vem jogar bola comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passos ecoam na escuridão. Um longo túnel a frente do menino. Está escuro como o inferno, e um cheiro podre navega pelo ambiente. A criança não pode vê-lo, mas sabe que em algum lugar em meio às sombras e ao breu completo, está seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Papai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminha timidamente. O desejo de ver seu pai é mais forte que o medo de suas pernas. O coração pula em freqüência absurda no corpinho vulnerável. Tudo é silêncio, exceto pelo seu ofegar. E o cheiro pútrido começa a se tornar mais forte. Um horrível cheiro de morte, o mesmo que se sente quando o quarto de um suicida é aberto após dias com o cadáver na cama. Mas ele é apenas uma criança inocente, jamais viu um cadáver, talvez nem saiba o que é morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acelera os passinhos miúdos, persegue as trevas como homem algum seria capaz de fazer. A ingenuidade é um grande escudo, o desconhecimento um combustível da coragem. A luz se extinguiu por completo, nem o próprio ponto de onde partiu está visível ao mais atento dos olhos. Mas ainda assim, o menino prossegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão começa a ficar pegajoso, e as paredes, mesmo no breu, parecem se fechar. O ar é pesado, o ar é denso; o ar é áspero e rasga as narinas ao entrar. Cada respiração é como um sufocamento. Está chegando, ele sente que está chegando cada vez mais perto de seu sonho. Seu pai jogará bola com ele mais uma vez antes de ir, ele tem certeza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um som se arrasta a alguns centímetros à frente. Não é seu pai. Não é seu pai, e que medo isso lhe gera. Um som tão violento como o ar, tão podre como o funesto cheiro. Ele quer apenas desviar daquilo e continuar correndo, mas suas pernas ganham a força para segurá-lo. O pavor domina cada centímetro de seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um gemido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquilo à sua frente sai um gemido rouco e seco. O garoto pode sentir a presença ao alcance de suas mãos, sente-se encurralado. Não há como fugir, não há nada a fazer. O mistério se aproxima, e o pequeno pode sentir mãos putrefatas o buscando na escuridão. Não se move, não consegue se mover. Não consegue respirar. Ele quer puxar um longo trago de ar e correr, correr como nunca correu. Mas como nos sonhos, não consegue. O medo cresce, sente o suor escorrendo em sua face. Por fim, sente um toque gélido em seu ombro. Sua visão se clareia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/SQskwM5Zo-I/AAAAAAAAADo/TfovjAErnvE/s1600-h/MummyAngel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263341000026858466" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 136px; CURSOR: hand; HEIGHT: 271px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/SQskwM5Zo-I/AAAAAAAAADo/TfovjAErnvE/s320/MummyAngel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;— Não se pode fugir daquilo que é... — o vulto branco sussurra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então vem a dor. E cada parte de seu corpinho frágil começa a envelhecer, a se encher de rugas e ressecar. Sente seus órgãos se contraírem, sente seus olhos escorrerem todo fluido por seu rosto. Ouve suas unhas caírem ao solo, uma a uma, até que não ouve mais nada quando seus tímpanos se desfazem como pó. E aquilo tudo dói, e aquilo tudo traz consigo um cheiro milhares de vezes pior que o de antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cheiro que sai dele mesmo, um cheiro de morte consolidada, de cripta antiga aberta após séculos. Onde o pó cobre todas as memórias, cobre toda a história de um corpo apodrecido e uma alma corrupta. Ele não quer ser assim, não quer deixar de ser a criança ingênua que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria jogar bola com o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que quer não importa, e logo o cheiro de seu pai se dissipa da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo dentro dele mais forte que sua própria consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dor: e sua única saída é sorrir, assim como a criatura que o contempla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há esperança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-4296859197324312299?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/4296859197324312299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=4296859197324312299' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/4296859197324312299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/4296859197324312299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/10/captulo-7.html' title='Capítulo 7'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/SQskwM5Zo-I/AAAAAAAAADo/TfovjAErnvE/s72-c/MummyAngel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-3840929450328556082</id><published>2008-10-22T15:23:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T09:18:10.031-07:00</updated><title type='text'>Campanha "Aterrorize a Blogosfera"</title><content type='html'>&lt;a href="http://sites.google.com/site/zonanerd/zona-nerd/AterrorizeaBlogosfera-ZonaNerd.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://sites.google.com/site/zonanerd/zona-nerd/AterrorizeaBlogosfera-ZonaNerd.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olá meus queridos e poucos leitores!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Venho excepcionalmente por este post explicar sobre a participação do 'Escolhidos do Silêncio' na campanha 'Aterrorize a Blogosfera'. Essa brincadeira é fruto do trabalho da galera da 'Zona Nerd' (&lt;a href="http://zonanerd.blogspot.com/"&gt;http://zonanerd.blogspot.com/&lt;/a&gt;), um blog muito divertido e com conteúdo bem bolado. Se trata do seguinte: no dia 31 de Outubro, no intento de comemorar ludicamente nosso amado Halloween, nós (blogueiros, mesmo os 'não-tradicionais' como eu) iremos publicar em nossas páginas um post macabro, aterrorizante, bizarro, assustador e portador de todo e qualquer adjetivo que remeta ao medo e ao terror.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Além de 'Escolhidos do Silêncio', participam também: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.Rock'N'Howl (&lt;a href="http://rocknhowl.blogspot.com/"&gt;http://rocknhowl.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.{d}efeitos Especiais (&lt;a href="http://d-efeitosespeciais.blogspot.com/"&gt;http://d-efeitosespeciais.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.Desventura Sem Sequência (&lt;a href="http://desventurasemsequencia.blogspot.com/"&gt;http://desventurasemsequencia.blogspot.com&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agradeço a todos vocês por lerem minha historinha sem graça!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aguardem pelo dia 31! Um capítulo especial vos aguarda!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Abraços e saudações cadavéricas! ;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-3840929450328556082?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/3840929450328556082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=3840929450328556082' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/3840929450328556082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/3840929450328556082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/10/campanha-aterrorize-blogosfera.html' title='Campanha &quot;Aterrorize a Blogosfera&quot;'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-4527809798387975397</id><published>2008-10-19T19:37:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T05:06:33.904-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 6</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mamãe esconde a chave da porta debaixo da samambaia. Virou hábito, desde a época que papai voltava bêbado de madrugada. Por que ele se embebedava? Por que ele era tão ausente? Quando ele foi embora, pra falar a verdade, não fez diferença. Eu desprezo meu pai. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— Não vai entrar? — pergunta Clarissa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pego a chave. Destranco a porta, duas voltas, como sempre. Giro a maçaneta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— Que casa bonita... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É porque você ainda não a viu com um garoto quase-morto no quarto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— Minha mãe é caprichosa. Mas enfim, se quiser, pode sentar no sofá. Vou pegar algumas coisas no meu quarto, volto logo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela se afunda nas almofadas. Eu subo as escadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu já sabia que a minha mãe não estava aqui, mas mesmo assim a sensação é estranha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abro a porta de meu recanto, do meu templo solitário chamado quarto. Para um cara organizado como eu, a cena com a qual me deparo é realmente pavorosa. Está tudo revirado, no sentido mais literal possível. Acho que o Katrina passou por aqui. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ei, será que foi ele que levou todo mundo embora? Vai saber. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pego algumas porcarias minhas e enfio numa mala. Alguns livros que não terminei de ler, algumas roupas e bugigangas diversas que, tenho certeza, uma hora ou outra me serão de alguma utilidade. O que será que estavam procurando em meu quarto? Documentos? Teria mamãe tido um ataque de pânico depois do que aconteceu? Ou um acesso de ira? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foda-se, não é tempo de pensar no que aconteceu no meu quarto. Preciso descobrir o que aconteceu no mundo, antes de tudo. No final das contas, só sei que a minha cidade está vazia. Sem internet, sem televisão e sem telefone, fica difícil de saber como estão as coisas em outros lugares. E se está todo mundo tirando umas férias em Paris? Seriam eles capazes de deixar um garotinho entubado na UTI? Bem, eu seria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Espremo mais algumas roupas na mala, quase pronto para sair do meu pequeno templo. Abaixo-me para pegar alguns pares de meia na gaveta e, de súbito, ouço Clarissa gritar lá embaixo. Um grito rasgado, desesperado; um corte bruto e devastador num silêncio absoluto. Largo a mala e desço as escadas, pulando alguns degraus, até chegar à sala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A garota está de pé, de costas para mim, presumo que viu uma barata ou algo do tipo. Uma ratazana cinza e rechonchuda, talvez. Mas num olhar atento, percebo facilmente que é algo mais complexo. Assustada, seus olhos revelam uma expressão de profundo medo, como algo horrível tivesse acontecido em minha sala, a alguns segundos atrás. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— O que aconteceu? Por que gritou?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela não responde. Não muda o rosto, não mexe um único músculo. Olha para mim e em seguida olha para a porta da entrada, escancarada. Seu dedo trêmulo aponta para a rua. Não foi ela quem abriu, eu sinto isso, tenho certeza! Sempre estive um passo a frente, ninguém nunca precisou me explicar nenhum detalhe para que eu descobrisse as verdades. Não preciso de uma única palavra de Clarissa para saber que alguém passou por ali e lhe arrancou aquele grito, fugindo para a rua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Corro para a porta. Clarissa permanece parada, olhando para mim. Observo a rua, mas não vejo ninguém. E não tenho tanta certeza se quero ver, depois de ter ouvido o grito de minha colega. Fecho a porta lentamente, trancando a tramela para garantir que nenhum perigo entre de novo. O benefício da solidão não parece mais ser tão aconchegante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que algo passou por ali, eu sei e eu sinto tão claro como um cheiro. Um cheiro que invade minhas narinas, um cheiro que eu não percebi estar ali no momento em que desci as escadas. Um cheiro doce, mas ao mesmo tempo forte. Um aroma inconfundível, que me faz mergulhar em uma nostalgia que não consigo explicar. Conheço isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sinto como um cheiro: sinto um cheiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Encaro a garota nos olhos. Me fale, pequena, o que viu aqui?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-4527809798387975397?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/4527809798387975397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=4527809798387975397' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/4527809798387975397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/4527809798387975397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/10/captulo-6.html' title='Capítulo 6'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-3558660799574089007</id><published>2008-09-26T19:52:00.000-07:00</published><updated>2008-09-26T19:56:31.814-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 5</title><content type='html'>Pi pi pi. Um irritante pi pi pi do despertador à pilha ao lado da cama. Eu gostaria de saber o porquê de termos a mania de manter velhos hábitos mesmo quando se fazem desnecessários. A voz dela ressoa no corredor.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;— Melhor você acordar ou vou sozinha ao supermercado...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já faz quase duas semanas que conheci Clarissa. Ela estava na casa, nesta mesma casa que ainda estamos. Uma garota vestindo um vestido belo, ajoelhada ao lado de uma vela e uma imagem de Nossa Senhora. O primeiro contato foi assustador, para ambos os lados. Nenhum de nós dois esperava encontrar outra pessoa, de fato. Lembro-me que quando a vi, acenderam-se em meu peito esperanças de decifrar o enigma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, como está se tornando de praxe, veio a decepção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Clarissa sabia tanto quanto eu, ou até menos, sobre o que se passava. É uma garota humilde, do outro canto da cidade. Ajudava os pais num pequeno restaurante de periferia, tem pouco estudo. Na verdade, seu caso é até pior (exceto pelo detalhe que ela não cometeu um suicídio mal sucedido, obviamente), pois não se recorda de nada que se passou antes de se dar conta do sumiço generalizado. Simplesmente acordou na igreja de seu bairro, caída perante o altar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;História estranha, não? Sinceramente não acredito. Algo me diz que essa garota esconde de mim o que realmente aconteceu. Mas agora não é hora de desconfiar da única companhia que tenho. Não que eu realmente me importe emocionalmente com isso, mas, honestamente, as coisas ficam mais práticas quando se tem alguém por perto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mais perturbador, contudo, se pauta num mínimo detalhe: em como ela chegou ao número mil e oitenta da Rua da Trindade. No início, pensei que certamente fosse ela a dona saltadora do caderninho. Quais eram as chances de não ser isso, numa cidade desolada? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que a levou ao mesmo destino que eu foi nada mais nada menos que um bilhete, com a mesma mensagem que encontrei, um simples endereço. Se essa for toda a verdade, a situação se complicará ainda mais: haverá a certeza de uma terceira companhia, um manipulador oculto. E tudo indica que essa hipótese pode ter sentido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preferi não contar a ela em muitos detalhes o que se passou comigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na versão que contei a Clarissa, eu era apenas um sujeito vítima de queda de pressão, com desmaio súbito e um despertar nada agradável num hospital deserto. Desesperado, resolvi caminhar por ruas afora na procura de outro ser humano. Num golpe de sorte, a encontrei. Graças a Deus, como disse ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era melhor que ela não soubesse sobre o lance da janela, por enquanto. Nem sobre a minha batida de calmante com uísque. Manter segredos me dá uma enorme sensação de controle. É o que sempre fiz a vida toda: mantive o controle, frio e objetivo. E nos primeiros dias de nossa convivência, acredite, a coisa mais necessária foi manter o controle. Mulheres choram à toa normalmente, imagine então com um desaparecimento populacional generalizado... &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Vamos logo, precisamos pegar mais comida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se o supermercado fosse fechar!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Certo. Me dá um minuto...&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lavei o rosto. Não na torneira, logicamente, pois a distribuição de água estava funcionando tanto quanto o sinal dos telefones celulares. Nesse meio tempo em que ficamos na casa, coletamos alguns produtos úteis nas lojas ao redor. Galões de água e estoques de alimento foram o essencial. Além disso, levamos alguns remédios, jornais do dia do sumiço (talvez eu encontrasse alguma pista neles), lanternas, velas e fósforos, e por fim, roupas. Sim, roupas. Prontamente me troco e vou encontrar Clarissa na sala.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Constrangimento estranho por alguns segundos. Sua feição delicada e seus longos cachos castanhos fitam meus olhos, em silêncio. Era bela, realmente bela, mas este não é um bom momento para criar laços. Se por um milagre tudo se resolver, e eu desistir da minha idéia de morte, talvez seja até possível. Talvez. Mas por enquanto, o que realmente importa é a nossa sobrevivência.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Bem, vamos indo ao supermercado então, Clarissa? — ela concorda com um movimento da cabeça.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porta afora, as ruas aguardam, inteiramente à nossa disposição. O supermercado não é tão distante. Alguns minutos andando, e já se pode avistar o grande e chamativo painel de entrada do estabelecimento. Em menos de uma hora, dois carrinhos se enchem de enlatados e garrafas d’água, e já se dirigem de volta à casa da vovó. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Sabe o que eu estava pensando Geraldo? — esse não é meu nome real, que fique bem claro. Sim, eu sei, tenho uma pedra de gelo no lugar do meu coração. Confiança é fraqueza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Acho que não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Eu gostaria de voltar para minha casa. Você não gostaria de visitar a sua?&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era óbvio que sim. Deveria ter sido a primeira coisa a fazer. Tenho certeza que mamãe não está lá, de qualquer forma. Mas algo me diz que voltar para casa e pegar alguns pertences seria uma ótima idéia. Uma idéia essencial. Faço um sinal positivo.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Acho que precisaremos de bicicletas. — diz o suicida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-3558660799574089007?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/3558660799574089007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=3558660799574089007' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/3558660799574089007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/3558660799574089007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/09/captulo-5.html' title='Capítulo 5'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-3751382053703350677</id><published>2008-09-20T18:14:00.000-07:00</published><updated>2008-09-21T10:18:44.973-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 4</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu pessimismo natural me impede de ter alguma esperança. Visto o quadro do hospital, eu já previa, desde o breve relance que tive olhando pela janela, que as ruas estariam igualmente desoladas. É um tanto quanto bizarro ver uma floresta de prédios silenciosos, sem o rugir dos motores, sem as buzinas, sem as vozes atropeladas e os passos apressados da futilidade moderna. Agradável, eu diria, não fosse a minha indignação crescente pelo mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de sonhos emocionais com família, tampouco. É mais do que óbvio que minha mãe sumiu também. Mas não choro, nem alimento falsas ilusões heróicas de salvá-la de um mal que nem ao menos conheço. Às vezes as vantagens de ser diferente de todo o resto vêm nos momentos mais estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rua da Trindade não é tão longe, felizmente conseguirei ir a pé. Claro, eu poderia pegar um carro alheio e dirigir por aí. Tudo seria mais prático. Mas não, sou um suicida, não um ladrão. Além disso, eu precisaria de no mínimo um tanque de guerra ou bigfoot para atropelar todo esse trânsito de veículos parados. Manobrar todos eles também está fora de cogitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, caminhadas fazem bem ao corpo, à mente e ao espírito. E são ótimas oportunidades para pensar na vida. Ou, no meu caso, na morte. Ainda não me entendi por completo, gostaria de compreender o motivo de eu investir tanto em uma demanda para descobrir o que aconteceu com todo mundo, sendo que ainda pretendo morrer depois disso. Por que não me mato agora, simplesmente? É um problema. Onde estão os psicólogos quando você precisa deles? Realmente, este mundo nunca me ajuda em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltou-me lembrar que a fome me atina. Preciso comer. As pernas tremem quando ando, e isso é um sinal ruim. Paro numa lanchonete e pego dois salgados aleatórios da estufa, deixando um bilhete com meu telefone de contato para posterior pagamento. Uma atitude nobre para alguém que despreza todos ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto será o suficiente para me sustentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que silêncio perturbador. Há quase quarenta minutos caminho em passos largos, e até agora o único som que ouvi foi uma estrutura de metal de um estacionamento estalar com o resfriamento após uma tarde de calor intenso. Minha experiência com filmes de terror me diz que quando algo está calmo demais, é porque tem um susto chegando. E eu realmente não quero me assustar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prossigo, observando cada detalhe que posso, mas não encontro nem sinal de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não (para fins de esclarecimento), os telefones públicos não dão linha. Todos cantarolando tututu alegremente. Mas ei, veja o lado positivo! A eletricidade ainda funciona! Os postes começam a acender sozinhos, está escurecendo. Ainda bem que tenho as maravilhosas lâmpadas para guiarem meu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio da torre do centro da cidade, já ao longe, aponta seis horas e dezessete minutos. A rua do meu destino está logo a frente, mais alguns passos e chego no endereço do caderno. Acelero um pouco. Tenho sede, respiro ofegante. São os segundos mais longos desde que acordei no hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aqui. Número mil e oitenta num belo final de tarde. Esta rua é mal iluminada, com poucos postes e muitas árvores. Há um tapete de folhas no asfalto e nas calçadas, já não estou tão perto do centro da cidade. A casa do número marcado é antiga, com um jardim bem cuidado e um clima de ei-minha-avó-mora-aqui. Definitivamente um ambiente agradável para se morar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto olho, as luzes se apagam, me dando o susto que não estava mais esperando. É, parece que a energia finalmente acabou. Ainda bem que tive tempo de chegar aqui. A coisa ficou preta, literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, agora que estou aqui, o que farei? Arrombar a porta e entrar na casa não seria algo muito polido. Bater e esperar que a abram para mim também não parece boa idéia. Enquanto penso, parado em frente ao portão baixo e simpático do lugar, a noite se intensifica. Está ficando cada vez mais escuro, e estou sozinho numa cidade abandonada e sem energia elétrica. Ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repentinamente, um impulso direciona meu olhar para a grande janela frontal, atrás dos arbustos do jardim. É aquela mesma sensação que tive no hospital, que estranho. As cortinas estão fechadas, não se pode ver nada do lado de dentro. Mas há algo diferente. Uma pequena iluminação, fraca e trêmula, vinda de dentro da casa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulo o portão, me aproximo. Há uma fonte de luz dentro do recinto, de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cortina alaranjada não me permite ver muito, mas sem dúvida há uma chama lá dentro. Uma vela! Ou um incêndio. Não, seria muita sacanagem de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grudo meu rosto na vidraça, tento enxergar algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No auge de minha concentração, vem o segundo susto: uma sombra! Uma sombra esguia e veloz cruza a cortina, disparando meu coração a ponto de doer em meu peito. Os cabelos da minha nuca se eriçam. Um arrepio percorre minha espinha. Uma porra de sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente há alguém lá dentro!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-3751382053703350677?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/3751382053703350677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=3751382053703350677' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/3751382053703350677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/3751382053703350677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/09/catulo-4.html' title='Capítulo 4'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-8521967100043699917</id><published>2008-09-12T14:53:00.000-07:00</published><updated>2008-09-12T15:00:35.862-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 3</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não há nenhuma pessoa no maldito lugar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alucinação, só pode ser. Ninguém na sala, e a vidraça quebrada deixando um mormaço entrar. Da janela ao chão seriam sete, oito metros talvez. Alguém que tivesse pulado estaria no mínimo visível ao meu olhar. E acredite, nesta altura do campeonato meu olhar está assaz atencioso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Olho ao meu redor, procurando uma resposta lógica. É lógico que não há muitas dessas a se encontrar em um almoxarifado. Talvez se eu revistasse as caixas de produtos de limpeza, sim, talvez eu encontrasse um livro intitulado “Como Sobreviver ao Fim do Mundo, em Dez Passos Rápidos”. Ou quem sabe os esfregões! Oh sim, os esfregões são suspeitos...&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que diabos! Por que ainda não saí desta droga de hospital?!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bufando, marcho com firmeza no chão pálido e encerado na direção do lance de escadas mais próximo. Mas algo me atina. Algo me faz parar por alguns instantes e olhar para trás. Alguma coisa naquela sala me chama de volta, um instinto, um apelo de minha intuição. Nunca tive isso antes, é coisa nova para mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Retorno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passeio meus olhos por toda a extensão do recinto, faço tipo sério, de detetive de filme noir. Estou convicto de que há algum detalhe que deixei escapar. Jamais seria capaz de ter uma sensação daquela sem motivo. No armário, no chão, atrás da porta: nada. No teto? Atrás do armário? Na janela...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Interessante. No parapeito da janela, como pude deixar de notar? Há um objeto em meio aos cacos de vidro. Um objeto esquecido por sei-lá-quem que esteve aqui antes de mim. Pela pessoa que quebrou essa janela e pulou às pressas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estico meu braço, tomando cuidado para não tocar nas afiadas pontas do que sobrou da vidraça. Ainda não pretendo cortar meus pulsos, não antes de descobrir o que se passa por aqui. Agarro o objeto, um pequeno caderninho de anotações. Capa preta sem escritos, pequeno a ponto de caber na palma de minha mão. Uma caneta de tinta vermelha presa à sua espiral.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seria o manual prático de sobrevivência apocalíptica que pedi? Supimpa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Folheio um pouco. Ao que parece, em branco por inteiro. Bacana, vou ter algo para registrar meus pensamentos sarcásticos. Quem sabe eu posso publicar um livro de piadas ruins quando todos voltarem. Se voltarem...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que se dane! Eu vou morrer mesmo, não faz diferença.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É, parece que não tem nada de importante no caderninho...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas espere! Um relance, um traço de escrita em alguma das páginas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio, uma anotação discreta, quase imperceptível. Uma letra cursiva graciosa. Leio atentamente, me esforçando um pouco para enxergar a letrinha miúda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parece ser um endereço...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Rua da Trindade N° 1080&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu coração acelera um pouco. Seria animação? Sinto-me bem em saber que alguma coisa começa a dar certo por aqui. Claro, poderia ter sido melhor. Eu poderia ter aberto a porta e encontrado todos os meus familiares e pseudo-amigos com chapéus de festa, bexigas e tudo mais, gritando “surpresa!” para o pobrezinho do recém suicidado. Seria frustrante, mas pelo menos aliviaria minha sensação de delírio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seja lá o que signifique isso, o caderno na janela e esse endereço misterioso, aparentemente me atraiu de volta quando eu estava prestes a sair do prédio. Parece que Isso queria me achar, como se alguma força superior quisesse me encaixar em planos específicos. Mas não pense que isso me agrada, ou que estou prestes a encontrar Jesus com essa afirmação. Odeio me sentir impotente frente ao acaso do destino. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aliás, existe um destino? Se existe, estou prestes a descobrir o meu, e se necessário, mudá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A única pista que eu tenho, a única chance de descobrir alguma coisa a mais neste momento, está no número mil e oitenta da Rua da Trindade. Para lá que eu vou, é o melhor que posso fazer agora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aproveito e pego um macacão azul de faxineiro de hospital. Até que o almoxarifado me foi útil, qualquer coisa é melhor do que aquela roupa de papel esdrúxula com a qual acordei. Tomo um último gole de café frio, enquanto escrevo um pequeno bilhete numa folhinha arrancada. É bom que eu deixe uma mensagem, para que saibam que estive aqui e para onde fui. Há sempre a chance de haver um perdido como eu por aí, procurando por respostas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está na hora de sair, não suporto mais esse cheiro de doença.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desço alguns lances de escadas e vou na direção da porta dupla de vidro azulado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os raios de sol iluminam meu rosto, as ruas se abrem apenas para mim. Respiro fundo: será uma caminhada interessante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-8521967100043699917?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/8521967100043699917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=8521967100043699917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/8521967100043699917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/8521967100043699917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/09/captulo-3.html' title='Capítulo 3'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-4824992810097621884</id><published>2008-09-05T14:20:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T14:22:23.882-07:00</updated><title type='text'>Capítulo 2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perfeito. Vagando seminu por um hospital vazio. Qual será o próximo passo? Fazer um chapéu de folha de jornal e pensar que sou Napoleão Bonaparte? Meu estômago ronca e minhas pernas tremem, minha boca está seca e sinto que estou horrivelmente remelento. Mas ainda assim, nenhuma enfermeira de desenho animado apareceu para me salvar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que descaso com um suicida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imagino se eu perdi alguma coisa importante. Parece que o prédio todo está de férias. Inclusive os pacientes da UTI. Mesmo os doentes em estado vegetativo. Estou vasculhando esta droga de hospital a cerca de meia hora, e nada. Ninguém em nenhuma sala, em nenhum quarto, alas todas vazias. Sem respostas aos meus chamados roucos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A impressão é de que saíram às pressas. Alguns papéis espalhados, aparelhos de ar condicionado ainda funcionando nos escritórios dos doutores. Computadores ligados. A TV do ultra-som ligada no canal da estática e do chiado. Se eu tivesse um controle, talvez mudasse para o canal de esportes e veria um pouco de luta livre para matar o tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas não, nada de “matar” nada por enquanto, sou muito incompetente nesse quesito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que café frio e amargo, maldita estagiária vagabunda. O mínimo que eu esperava de um hospital público. Folheio algumas revistas, sentado na cadeira dura e desconfortável da sala de espera. Quem sabe alguém me encontra, assim podem me deixar inteiro para que eu possa planejar melhor a minha morte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ha ha ha, sim, eu sou um filho da mãe ingrato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fico esperando. De vez em tempos levanto, caminho um pouco, pego mais café. Adentro nos corredores chamando alto por alguém. Nunca pensei que fosse gritar por companhia, que ironia. Mas o caso é grave e começo a achar que tem algo errado por aqui. Tomo fôlego e faço o óbvio: olho pela janela mais próxima. Droga de estrutura hospitalar, me faz pensar que sou um prisioneiro. Era lógico que, na falta de alguém dentro, o passo mais racional seria procurar alguém fora. Às vezes duvido da minha capacidade mental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Me estico no parapeito da janela, a luz solar me atinge em cheio. É um final de tarde, calculo pela cor do céu e pelo tempo que fiquei perdendo dentro do prédio. Aperto os olhos, mas só vejo uma paisagem urbana morta e degradante. Nada de novo, é assim todo dia. O único detalhe, adivinhe: nenhuma só pessoa, nenhum carro andando; carros, aliás, vazios e parados nas ruas, um engarrafamento mais estático que o normal. Algumas bicicletas caídas na calçada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, estou intrigado. Paraliso. Sinto um arrepio me percorrer, mas não é medo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É mais como uma contemplação, nem boa, nem ruim. Apenas observo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Concentro-me por alguns instantes, tentando desvendar o enigma. Será que acordei atrasado para o Apocalipse? Deus não me quis e o Diabo me esqueceu, upa upa, tenho a Terra só para mim. Seria divertido se não fosse tão estranho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Imerso em meus próprios pensamentos, me afogando nas hipóteses. Sento numa cadeira e medito por alguns instantes apertando meu queixo, numa pose que deixaria qualquer escultor inspirado. Mas após breve período de tempo, algo me interrompe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Crash!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um som de vidro quebrando, uma janela sendo estilhaçada sem sombra de dúvida, a algumas salas de distância. Então de fato há mais alguém aqui! Hora de correr, meu caro jovem com tendências auto destrutivas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma porta! O som veio daqui, tenho certeza. Uma passagem que me separa da verdade. Estou a alguns segundos de descobrir o que se passa. Sem mais perda de tempo! É hora de ter uma conversinha sobre essa brincadeira de mau gosto que o mundo inteiro combinou de fazer com a minha pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E atenção, platéia imaginária, atrás da porta número um nós temos um belíssimo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Homem? Mulher? Uma geladeira novinha em folha?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Click! — a porta se abre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Meu olhar se fixa. Meus pés não se movem. Não consigo acreditar no que vejo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Alguém chame um médico...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-4824992810097621884?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/4824992810097621884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=4824992810097621884' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/4824992810097621884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/4824992810097621884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/09/captulo-2.html' title='Capítulo 2'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-54984936160364496</id><published>2008-08-29T17:03:00.000-07:00</published><updated>2008-08-30T17:01:36.327-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='capitulo 1'/><title type='text'>Capítulo 1</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordei. Que dor intensa, apaguem essa luz! Meus olhos ardem. Seria a culpa pelo suicídio? Afinal, onde eu estava? Que ótimo! Você tenta desaparecer para acabar com a solidão, e descobre que ainda terá o Além e sua eternidade para se sentir só. E olhem só, que simpático: o lugar cheira a injeção. Que asséptico. As coisas clareiam um pouco, finalmente vou conhecer o segredo da vida. Ou da morte, pense como preferir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Decepciono-me. A falha foi maior do que imaginei. Estou num quarto de hospital, com seringas e bolsas de soro me violando. Parece que a caixa de calmantes da mamãe e a garrafa de uísque do papai não bastaram para dar conta do serviço. Minha mãe me socorreu. Será que ela não podia simplesmente ter soltado minha mão, me deixado ir em paz? Imagino: a confusão, os gritos, o desespero do velho vizinho me carregando para aquela lata que ele chama de carro; a correria, mais gritos, a velha chorando, os médicos fazendo tudo que podem para me salvar. Pelo jeito deu tempo de limpar o meu pequeno coquetel passagem-para-a-viagem-sem-volta. Mas que droga. Da próxima vez vou lembrar de trancar o quarto antes de me matar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240095889205506386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/SLiPcrEUMVI/AAAAAAAAACc/YU-QaZVYgbc/s320/23445760.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me, arrebentando a parafernália que salvou a minha vida, ou melhor dizendo, que a fodeu mais ainda. Um silêncio sepulcral toma conta do lugar. Que bom, um ótimo feriado para se acordar de um suicídio. O sol ultrapassa a cortina e reflete por todas as paredes brancas, fazendo o lugar inteiro parecer o interior de um holofote. Um holofote grande, frio e com cheiro de álcool.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nem um único som de gente. Uma cigarra geme numa árvore em algum lugar lá fora; pressinto que está um daqueles dias quentes e preguiçosos. Melhor eu me conformar por enquanto (o preço por ser burro e impulsivo às vezes é alto). Cara, eu devia ter ponderado mais antes de fazer o que fiz (talvez uma arma tivesse sido mais prática, mas mamãe teria trabalho para limpar toda a bagunça)!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chega de chorar sobre o soro derramado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aperto a campainha ao lado de meu leito, esperando que uma enfermeira no mínimo bonita me traga uma refeição decente. Ainda não me sinto confortável para levantar e vaguear pelos corredores doentes de um prédio que mal conheço, cheio de velhos moribundos e criancinhas com câncer. Aperto a campainha insistentemente. Mas ninguém responde, ninguém aparece, nenhum sinal de qualquer pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aguardo por minutos a fio, mas estranhamente...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ninguém aparece.&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-54984936160364496?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/54984936160364496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=54984936160364496' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/54984936160364496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/54984936160364496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/08/captulo-1.html' title='Capítulo 1'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/SLiPcrEUMVI/AAAAAAAAACc/YU-QaZVYgbc/s72-c/23445760.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2060608974169091622.post-2815489448192945875</id><published>2008-08-25T06:31:00.000-07:00</published><updated>2008-08-25T06:36:53.817-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prólogo'/><title type='text'>Prólogo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“&lt;em&gt;Mãe, &lt;span &gt;não chore.&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A culpa não é sua. Não é de ninguém, nem mesmo do papai. Eu simplesmente precisava fazer. É algo mais forte que qualquer outra coisa que eu tenha sentido, ou fingido sentir. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não sinta minha falta. Eu não farei muita, confie em minhas palavras. Aliás, nunca fiz diferença nenhuma para ninguém além da senhora. Não será difícil superar a minha ausência. Desculpe-me por nunca me abrir, por nunca falar do que sentia, por ter me tornado um quadro misterioso e sombrio o qual a senhora nunca compreendeu por completo. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas não adiantaria falar, nem para você, nem para ninguém. Tratamento nunca foi uma opção. Eu sou diferente, ninguém poderia ter me ajudado. Diferente demais para continuar vivendo, com todas essas dores. Todas essas lágrimas que queria poder chorar, mas não as encontro em lugar nenhum de meu coração. Eu não mereço este mundo, e ele não merece minha companhia amigável. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu último desejo era ter a certeza que a senhora fosse capaz de ficar feliz pela minha liberdade. Por mais solitária que você fosse, sua solidão se resumia apenas à falta de pessoas à sua volta. Uma amiga do cabeleireiro resolveria facilmente numa tarde de conversa fiada, regada a biscoitinhos caseiros e um cafezinho. O meu caso era outro, era uma corrosão, uma faca que perfurava cada centímetro da minha alma a cada vez que eu me via completamente abandonado no meio de uma multidão de seres. Tantas respirações, tantos olhares, tantas frases e histórias se empilhando à minha frente como sacos de lixo, lixo puro, puramente descartável.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu não era Eles. Eu nunca fui Eles. E nunca serei.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se alegre por mim, mãe querida. Nunca mais me sentirei sozinho.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nunca mais.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De seu amado filho, com a última gota de amor que me resta&lt;/em&gt;.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2060608974169091622-2815489448192945875?l=escolhidosdosilencio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/feeds/2815489448192945875/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2060608974169091622&amp;postID=2815489448192945875' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/2815489448192945875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2060608974169091622/posts/default/2815489448192945875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escolhidosdosilencio.blogspot.com/2008/08/prlogo.html' title='Prólogo'/><author><name>Samuel Ribeiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17155818251867400437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_d-7hc42gtgI/Shq2x55vo0I/AAAAAAAAAEc/d5jhp2nOLjc/S220/e2rt.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
